O que a Anvisa constatou
Segundo a determinação, assinada em 15 de outubro pela gerente-geral substituta de Fiscalização e Vigilância Sanitária, Liana Tieko Evangelista Kusano Fonseca, a Beaufour Ipsen Farmacêutica Ltda. — detentora do registro do Dysport no Brasil — identificou unidades do lote nº 025155 com características divergentes do produto original.
Entre as divergências apontadas estão a data de validade impressa como 06/2028, quando o lote genuíno correspondente traz validade até 06/2027; espaçamento diferente entre os números e códigos do lote em relação ao padrão de alinhamento das embalagens originais; um frasco-ampola com formato distinto do genuíno; e um código de barras que, ao ser lido, remete a outro lote legítimo (nº W26232), em vez do número impresso na caixa. Também foram identificados problemas no rótulo da embalagem secundária.
Com base nesse conjunto de inconsistências, a Anvisa proibiu a comercialização, a distribuição e o uso do lote 025155 em todo o território nacional.
Dysport: o que é e para que serve
Dysport é um neuromodulador à base de toxina botulínica tipo A, produzido pela Ipsen, usado para relaxar a musculatura facial e suavizar rugas de expressão — uma das toxinas mais aplicadas em consultórios de harmonização facial no Brasil, ao lado de marcas como Botox e Xeomin. Seu uso é restrito a profissional de saúde habilitado, em ambiente clínico apropriado.
O terceiro caso em menos de dois meses
Este episódio se soma a dois outros identificados pela Anvisa recentemente: em agosto de 2026, a agência determinou a apreensão de outros lotes falsificados de Dysport (Resolução-RE nº 3.356/2026); em 13 de outubro, foi a vez de um lote falsificado de Xeomin, da Merz. Com o caso de 19 de outubro, são três apreensões de toxina botulínica irregular em cerca de dois meses — envolvendo marcas diferentes, mas com um padrão semelhante: o laboratório detentor do registro identifica, no mercado, unidades com embalagem, rotulagem ou código de lote que não correspondem ao produto genuíno.
A repetição do padrão, mesmo após dois alertas anteriores, reforça que a circulação de toxina botulínica falsificada fora da cadeia oficial de distribuição não é um incidente isolado, mas um risco recorrente no mercado brasileiro de insumos estéticos.
Por que isso importa para quem atua em HOF
Para quem aplica toxina botulínica em pacientes, cada novo caso reforça que o risco de um produto falsificado não é apenas regulatório — é clínico. Algumas práticas ajudam a reduzir essa exposição:
- Comprar exclusivamente de distribuidores autorizados pelo laboratório fabricante, evitando intermediários sem histórico verificável ou preços muito abaixo do praticado no mercado;
- Conferir o número de lote e a validade de cada caixa recebida contra os alertas públicos da Anvisa antes de usar o produto em um paciente;
- Observar o alinhamento e o grafismo da embalagem, comparando com lotes anteriores do mesmo fabricante;
- Guardar nota fiscal e comprovante de origem de cada lote adquirido, documentação que protege tanto o profissional quanto o paciente em caso de dúvida futura;
- Acompanhar os alertas oficiais publicados em gov.br/anvisa, já que novos lotes falsificados vêm sendo identificados com frequência crescente.
Com três casos em dois meses, a vigilância sobre a origem de cada insumo deixou de ser uma precaução pontual e passou a ser parte da rotina de quem trabalha com toxina botulínica em HOF.
