Regulamentação

Anvisa Apreende Novo Lote Falsificado de Dysport: Terceiro Caso em Dois Meses

Publicado em 20 de outubro de 2026 · Leitura de 5 min

Em 19 de outubro de 2026, a Anvisa publicou no Diário Oficial da União a Resolução-RE nº 4.090, determinando a apreensão de um novo lote falsificado de Dysport — toxina botulínica tipo A usada em procedimentos de harmonização facial. É o terceiro caso de falsificação de toxina botulínica identificado pela agência em menos de dois meses, depois dos episódios com outros lotes de Dysport em agosto e com Xeomin em outubro.

O que a Anvisa constatou

Segundo a determinação, assinada em 15 de outubro pela gerente-geral substituta de Fiscalização e Vigilância Sanitária, Liana Tieko Evangelista Kusano Fonseca, a Beaufour Ipsen Farmacêutica Ltda. — detentora do registro do Dysport no Brasil — identificou unidades do lote nº 025155 com características divergentes do produto original.

Entre as divergências apontadas estão a data de validade impressa como 06/2028, quando o lote genuíno correspondente traz validade até 06/2027; espaçamento diferente entre os números e códigos do lote em relação ao padrão de alinhamento das embalagens originais; um frasco-ampola com formato distinto do genuíno; e um código de barras que, ao ser lido, remete a outro lote legítimo (nº W26232), em vez do número impresso na caixa. Também foram identificados problemas no rótulo da embalagem secundária.

Com base nesse conjunto de inconsistências, a Anvisa proibiu a comercialização, a distribuição e o uso do lote 025155 em todo o território nacional.

Dysport: o que é e para que serve

Dysport é um neuromodulador à base de toxina botulínica tipo A, produzido pela Ipsen, usado para relaxar a musculatura facial e suavizar rugas de expressão — uma das toxinas mais aplicadas em consultórios de harmonização facial no Brasil, ao lado de marcas como Botox e Xeomin. Seu uso é restrito a profissional de saúde habilitado, em ambiente clínico apropriado.

O terceiro caso em menos de dois meses

Este episódio se soma a dois outros identificados pela Anvisa recentemente: em agosto de 2026, a agência determinou a apreensão de outros lotes falsificados de Dysport (Resolução-RE nº 3.356/2026); em 13 de outubro, foi a vez de um lote falsificado de Xeomin, da Merz. Com o caso de 19 de outubro, são três apreensões de toxina botulínica irregular em cerca de dois meses — envolvendo marcas diferentes, mas com um padrão semelhante: o laboratório detentor do registro identifica, no mercado, unidades com embalagem, rotulagem ou código de lote que não correspondem ao produto genuíno.

A repetição do padrão, mesmo após dois alertas anteriores, reforça que a circulação de toxina botulínica falsificada fora da cadeia oficial de distribuição não é um incidente isolado, mas um risco recorrente no mercado brasileiro de insumos estéticos.

Por que isso importa para quem atua em HOF

Para quem aplica toxina botulínica em pacientes, cada novo caso reforça que o risco de um produto falsificado não é apenas regulatório — é clínico. Algumas práticas ajudam a reduzir essa exposição:

Com três casos em dois meses, a vigilância sobre a origem de cada insumo deixou de ser uma precaução pontual e passou a ser parte da rotina de quem trabalha com toxina botulínica em HOF.

Fontes

Rastreabilidade também é parte da rotina em HOF fora do estoque: documentar cada sessão com padrão protege profissional e paciente também na hora de comprovar o que foi usado em cada procedimento.

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